PS – o confronto inevitável… ou talvez não

Mesmo antes das eleições defendi que, em caso de um resultado insuficiente por parte do PS se devia realizar um congresso. Com toda normalidade sem esta agitação toda.

teremos luta … ou não

Acho que todos sabem a minha posição de princípio. Defensor de Sócrates apoiei e votei em Assis contra Seguro. A liderança de Seguro sempre me motivou muitas  reticências.

Também referi repetidamente que estas eleições europeias tinham apenas interesse em termos nacionais. O que contava era a diferença entre a Santa Aliança e o PS. Daí as minhas discussões contra alguns “socialistas vero” que se limitavam a atacar a lista do PS e mesmo, em alguns casos, declaravam apoio a outros partidos. Seguro nesse aspecto foi vítima de uma campanha que não se compreende vinda de militantes do PS. De tal forma que sendo por aqui considerado um socrático empedernido fui apelidado por alguns desses socialistas como um representante do Rato e dos seguristas…  enfim.

Seguro, honra lhe seja feita, trabalhou para o partido. Ganhou as autárquicas de forma clara e ganhou matematicamente estas europeias. Mas perdeu-as do ponto de vista político, nomeadamente com aquele discurso patético de vitória. Politicamente estas eleições foram uma derrota do PS.

Seguro, no entanto, pegou num partido com 27% de votos e que era apontado como responsável pela crise. E nesse aspecto conseguiu alguma recuperação.

Mas em política o que parece é. E a Seguro foi colado, com alguma razão um rótulo: Era um líder fraquinho. Era fraco e inseguro. E a verdade é que Seguro não tem mostrado capacidade de liderança. Trabalha, mas não é um líder na verdadeira acepção. Para complicar reuniu no seu núcleo duro, um grupo de pessoas muito fracas do ponto de vista de densidade ideológica e sobretudo de capacidade de transmissão de mensagem.

Não posso deixar de dizer que Seguro de certa forma foi traído nesta fase. Mas nada que ele não tivesse feito a Sócrates. E esse é o seu pecado original que nunca lhe será perdoado por muitos militantes.

Não gosto muito da personalidade de Costa. Muito tacticismo e um pouco hesitante. Agora parece avançar no pior momento em termos de tempo. Estamos a um ano de eleições. No passado recuou e desconfio que desta vez ainda pode recuar.

No entanto, tem uma diferença clara em relação a Seguro. É um líder. é capaz de comunicar. É capaz de dizer as coisas de forma rápida e clara e que todas percebam. Toma decisões. Mas ao mesmo tempo é capaz de fazer consensos.

Seguro não deve fugir ao confronto e deve ir a votos. Até porque provavelmente ganha. O PS não tem aparelho conforme se diz por aí, pelo menos no sentido formal. Mas tem autarcas e federações que funcionam na mesma lógica.

Pessoalmente sou coerente. Se existirem eleições votarei António Costa. Apesar de achar que Seguro vai ganhar de caras.

O PS precisa de um líder forte e que motive os Portugueses. Seguro não o é.  Assim sendo o meu apoio a 100% vai para António Costa.

No entanto,estou convencido que está  ser preparada outra solução. Uma liderança bicéfala. Ou seja António Costa candidato a primeiro-ministro e Seguro líder do partido. Não é uma boa solução mas a um ano talvez seja a única solução. É que os timings de Costa e Sócrates não são os mesmos. O pré-lançamento de Guterres como candidato a PR deve ter custado a Costa. E não tenham ilusões. Em política não existem apenas ideais. Existem também alianças e momentos em que os interesses mais estranhos se conciliam.

Concluindo. Dou o meu voto a António Costa. Depois das eleições e como sempre apoiarei o líder que os militantes escolherem

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PS- Este é um apoio meramente pessoal. Como não faço parte do secretariado não tenho de esperar, nem ser solidário relativamente a decisões dos órgãos locais do partido.

Vamos lá então analisar os resultados

Ainda não se conhecem os resultados finais, mas já podemos retirar algumas conclusões. Defini com clareza o que para mim seria uma vitória. Por isso terei de me balizar nesses valores.

1- Grande derrota da direita e do governo. Não vale a pena arranjarem desculpas. Foi o pior resultado .  A mesma abstenção serviu para em 2009 chamar a Rangel um grande líder. Logo neste momento também serve para dizer que perdeu.

2-Falando na abstenção, embora seja extremamente elevada não se afasta assim tanto dos valores europeus. Considerando que temos 300000 emigrantes nos últimos 3 anos não seria de esperar mais. No entanto, que não se desvalorize. Se a ela juntarmos a subida dos partidos de protesto temos de concluir que os Portugueses estão afastados da política e dos partidos. E estes devem alterar rapidamente a sua postura e começar a trabalhar. E não me falem em 2004. Nessa altura não existia ainda a crise, nem Sócrates tinha passado pelo poder.

3-O governo perdeu. Mas como eu tinha referido o que estava em causa eram as legislativas. E com este resultado o governo não perdeu a hipotese de ganhar as legislativas. Não chegará nunca à maioria absoluta é certo mas pode ganhar.Era este o perigo que referi insistentemente.

4- O PS ganha. Sim ganha mas a dimensão da sua vitória ainda está dependente do número de deputados. Se tiver 2 a mais será um resultado razoável. Se for um nem sei se é possível falar de vitória. De qualquer forma é uma vitória muito.. mas muito fraquinha. O PS fica longe de garantir a vitória nas legislativas. Está mais próximo, nas legislativas dificilmente se verificam fenómenos tipo Marinho Pinto e o voto útil funciona. De qualquer forma a maioria está posta de lado. Portanto teremos … um bloco central????

5- Seguro envolveu-se como era o seu dever na campanha. Nem todos o fizeram. Muitos militantes socialistas tudo fizeram para o PS não ganhasse. Votaram noutros partidos ou fizeram campanha contra a lista do PS. São tão responsáveis como seguro. Militantes do PS que tenham apelado ao não voto ou ao voto em outros partidos auto excluíram-se do PS e não devem sequer participar  na discussão.

6- O PS terá de analisar bem os resultados. Seguro não é um líder carismático . Não tem jeito  para isto. Até que ponto é que a chantagem da direita incidindo sobre Sócrates  teve sucesso? Os eleitores já perdoaram a Sócrates? Com Costa ou Sócrates os resultados seriam melhores? Tenho algumas dúvidas e por isso mesmo acho que se deve discutir. Que me dava muito mais prazer ter um Sócrates ou mesmo o Costa como candidato lá isso dava. Mas teríamos mais votos?

7- Dizer que estes resultados são uma vitória grandiosa é uma parvoíce de todo o tamanho. O PS deve reflectir e quanto a mim não excluo a possibilidade de um congresso que coloque em causa a liderança. Até porque é preciso saber se as alternativas aparecem.  Continuar a moer a discussão em torno de parvoíces é que não.

Portanto senhores do partido… vamos lá atar as cordas dos sapatinhos e trabalhar. 

Taxas de votação por País

A abstenção é preocupante é verdade. Mas não se arranjem desculpas para os resultados com base nela.A nossa votação acaba por ser muito semelhante aos restantes países da Europa. E não se esqueçam que temos quase 10 % de abstenção técnica e tivemos 300 000 emigrantes des das ultiams eleições.

Austria – 45%
Bélgica – 90%
Bulgária – 40,2
Croácia – 24,3
Rep Checa – 19,5%
Chipre – 42,4%
Dinamarca – 55%
Estónia – 36,4%
Finlândia – 40,9%
França – 43,5%

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Primeiras impressões

Confiando nas sondagens … mas muito desconfiado…

Assis- Para já o vencedor

1-Derrota histórica da Santa aliança. Se ficar abaixo de 30% é muito mau

2-Vitória moderada do PS – Se tiver 2 deputados a mais pode-se dizer que é uma vitória.

3. O fenómeno populista a funcionar com Marinho Pinto. A falta de ideologia a capitalizar o descontentamento

4- O previsível esvaziamento do BE

5-O desespero dos comentadores da direita a tentarem encontrar vitórias…

6- O PS não consegue capitalizar totalmente o descontentamento. ( alguns socialistas ajudaram)

7-Assis pode ter-se precipitado no discurso. Gostava de saber o que eles sabem de facto.

As previsões eleitorais do Mocho

Bem fui à bruxa.. e tenho aqui os mais recentes resultados( previsões)

PS – cerca de 36% – No máximo 38% . Elege 9 ou 10 deputados

Santa Aliança – em torno dos 32 a 34% – elege 8 deputados

Os outros não contam…

Marinho Pinto deve ser eleito

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Analise :

Se o PS tiver mais 2 deputados que a santa aliança  é um resultado razoável.

Se o PS tiver mais 3 deputados que a aliança é um resultado excelente e histórico.

Se o PS tiver apenas 1 deputado a mais  que a santa aliança é mau. Muito mau. Uma derrota para todos os efeitos.

Se a santa aliança ficar à frente, tal deve implicar  demissão do Seguro e novas eleições.

Um mau resultado para o PS será motivo de festa da direita, da santa aliança, do Cavaco, da esquerdelha folclórica e dos ditos socialistas que não votaram, que votaram no PAN e afins e que fizeram campanha pelo não voto no PS.

Um bom resultado do PS deve ser atribuído a Assis, à boa lista conseguida ,  a José Seguro e a todos os militantes que mesmo criticando a actual direcção compreenderam que o mais importante era mesmo derrotar o Governo.

E portanto daqui não vou sair durante a noite eleitoral