E aumenta o número de camiões a trazer água para a barragem de Fagilde

Já são perto de 100 camiões transportar água. Por um lado água já tratada e que é colocada na rede e por outro água não tratada e que é colocada na barragem.

João Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, esteve ontem (dia 18 de novembro) em Mangualde. O Governo, numa ação conjunta do Ministério da Defesa, do Ministério da Administração Interna, do Ministério do Ambiente e das Autarquias, leva a cabo uma ação de reforço do transporte de água, nesta que é a maior operação de sempre em Portugal de transporte de água.

O Governo vai enviar mais 45 camiões-cisterna diariamente para descarregar água bruta na Albufeira de Fagilde, somando-se aos 51 já existentes, para enfrentar a seca que atinge quatro concelhos do distrito de Viseu – Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo e Viseu, anunciou ontem o ministro do Ambiente. Esta operação arrancou às 07:00 de hoje, domingo, depois de durante o dia de ontem terem sido feitos alguns testes.

“Esta ação vem demonstrar que estamos preparados para agir quando somos confrontados com situações de catástrofe como esta que está a acontecer na nossa região. Com este reforço de camiões diários estamos a dar uma resposta cabal às necessidades das pessoas, aos domicílios, ao tecido empresarial, à economia social, à saúde e a todos os agentes locais, para que esta região seja competitiva e tenha esperança para o futuro. “, sublinhou João Azevedo, Presidente da Câmara Municipal de Mangualde.

“A água vai ser tirada da Albufeira da Aguieira, que tem uma capacidade muito maior, e trazida diretamente para a Albufeira de Fagilde. Essa água é depois tratada na própria ETA de Fagilde e entra nos sistemas para poder abastecer estes quatro concelhos”, explicou ontem o Ministro do Ambiente. Referiu ainda que este transporte será assegurado por camiões-cisterna de corporações de bombeiros de oito distritos do país, que já partiram dos seus locais de origem carregados com água. Para tal, tinha sido anunciada uma verba de 250 mil euros, para que os quatro municípios pudessem fazer face às despesas relacionadas com o transporte de água. Posteriormente, o Governo disponibilizou mais 250 mil euros para apoiar uma iniciativa da Águas de Portugal, que veio reforçar o transporte diário, em camiões-cisterna.

Meus caros . A principal causa de termos uma doença oncológica é estarmos vivos.

Um em cada três portugueses vai ter um cancro ao longo da sua vida. E depois de 2050 metade da população enfrentará a doença.( Fonte Público)
Estou fartinho dessas correntes de solidariedade e de apoio que por aí andam.  Os sobreviventes não são guerreiros, nem vitoriosos, nem venceram.
E os que que morreram, não perderam, nem foram menos guerreiros que os outros. E andar a sorrir não cura o cancro. O cancro não tem cura ponto. Às vezes temos uma sorte do caraças e a moléculazinha vai funcionar com uns e com outros não. Apenas isso .
É uma doença crónica, como qualquer outra, e que a quase todos vai afectar. Existem doenças piores, podem ter a certeza.
Os doentes não têm culpa de estar doentes. Ainda por aí uma linha que nos tenta dizer: Estás doente porque fumaste, porque foste à praia, porque comeste enchidos… etc etc etc… Ou seja, tenta colocar a culpa no comportamento do doente. E não te curas porque não tens uma atitude positiva perante a doença. TRETAS. A atitude ajuda a ter qualidade de vida, mas não cura nada.Ficamos com cancro apenas e simplesmente porque estamos vivos! Porque respiramos. Apenas isso.
Mas o que os doentes precisam é de outra coisa. Não é de caridadezinha nem de ligas inoperantes.Mesmo a LPC só começou a acordar para a realidade recentemente. Os doentes precisam que os seus direitos sejam defendidos durante o tratamento e depois do mesmo. Precisam de segurança no emprego e  de facilidade nos transportes. Não têm de ser obrigados a fazer parte das jogadas de transportadores, que metem meia dúzia nos carros, e obrigam o paciente  a estar o dia todo  no hospital. Precisam de ter acesso aos tratamentos mais eficazes. Precisam sim de despiste da doença mais cedo. O mais cedo possível. E hoje isso é possível. Tal como somos vacinados, devíamos obrigatoriamente ter testes desde muito cedo.Isso sim é prevenção.
Depois, quando regressam ao trabalho, as coisas mudam. A força não é a mesma. A necessidade de paragens e repouso por exemplo são diferentes. Não se pode admitir por exemplo que na função pública obriguem doentes a trabalhar em fim de vida. Ou que coloquem professores a ter horário completo, enquanto chegam carradas de colocados à escola em mobilidade por doença por terem unhas encravadas ou verem mal a conduzir à noite. E que nada farão durante o ano. Ou que na privada se tentem despedir pessoas, ou  despachá-los para trabalhos menores.
Os doentes precisam de informação, mas de informação concreta sobre sintomas, sobre problemas, sobre como resolver situações do dia a dia. E isso não existe. São sempre os mesmos textos que nada dizem, é sempre a tentativa de esconder o problema. O doente tem o direito a saber tudo. A partir daí cada um tem a sua forma de encarar a doença. Não é obrigatório que todos sigam a mesma cartilha. Cada um enfrenta à sua maneira. Não é crime chorar. Não piora a doença por não andar sempre feliz e a ter espírito positivo.   Não precisam de curas milagrosas, nem de correntes da felicidade, nem de sessões de prevenção em lares de terceira idade.
Desculpem os que se sintam ofendidos e que entram nessas coisas cheios de boa vontade. Mas ajudem antes o vosso amigo ou o vosso vizinho.  A sério. Nem imaginam o bem que faz um simples toque no braço.

Finalmente a “Lagoa da Lavandeira” vai ser desativada. Lançamento da Primeira Pedra

1ª pedra da ETAR Poente.
Uma obra esperada há 35 anos pelos Mangualdenses e que alguns não acreditavam que seria feita!Agência LUSA

O concelho de Mangualde vai dispor de uma nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), que representa um investimento de três milhões de euros e cuja primeira pedra foi lançada no domingo.

Lançamento da 1ª Pedra

A ETAR Poente de Mangualde irá localizar-se a oeste da povoação de Tabosa, na freguesia de Fornos de Maceira Dão.
“As intervenções previstas consistem na construção de um emissário gravítico com cerca de 3,7 quilómetros e uma estação de tratamento de água residual dimensionada para tratar, em ano horizonte de projeto, uma população total equivalente a 12.200 habitantes”, refere a autarquia.
Atualmente, o efluente residual produzido por grande parte da população de Mangualde é transportado para a ETAR da Lavandeira, situada a norte da cidade, junto à Estrada Nacional 234.

E Mãos à obra

Conhecida como Lagoa da Lavandeira, esta infraestrutura foi dimensionada para uma população de 500 habitantes e entrou em funcionamento no início dos anos 1980.
“A linha processual de tratamento inclui um sistema por lagunagem, numa sequência de lagoas facultativas e lagoas de maturação”, explica, estimando que, atualmente, receba o efluente produzido por cerca de três mil habitantes.

IPO- Foi há 6 anos… ah e falam de eutanásias…

Há 6 anos atrás estava eu a ver a primeiras pessoas após operação  no IPO de Coimbra. Lembro-me de ter tido um dos melhores momentos. Já estava lúcido e mais ou menos normal e o enfermeiro lembrou-se de me levar para um “quarto” no fundo , fora da enfermaria para poder estar com mais calma com a Belita . No quarto entrava sol pelas janelas e apesar dos tubos todos confesso que renasci naquele momento. Ah durante a manhã a mulher tinha andao atrás dos médicos a perguntar se tinha tido paragens cardíacas etc e tal.. e eles só diziam: “ Anda a ver muitos filmes não anda?

E a propósito disto veio-me à lembrança essa discussão estapafúrdica da eutanásia.

1-Tenho noção que sou um pré-candidato a uma situação dessas. Hoje, se me perguntassem  eu diria que sim, que a iria pedir. Se um dia se verificar a situação,  não sei o que pedirei. Essas coisas só na altura em que as vivemos é que sabemos. Mas quero ter o direito de poder decidir.

2- A eutanásia é uma questão individual. Apenas e só uma questão de dignidade do ser humano.

3-Ninguém, políticos ou seja quem for  tem o direito de decidir. Muito menos se referenda a dignidade.

4-Ninguém consegue dizer que pedirá ou não  a morte assistida. Na altura é que saberemos. Não é agora. Agora é fácil ser a favor ou contra.

5-Não são os outros que nos condenam e provocam a morte. Somos nós que a desejamos e exigimos de forma digna e depois de resolvermos o que temos a resolver. Quem decide é o individuo.

6-Leio por aqui parvos a dizer que quem quer a eutanásia, que se suicide. Eutanásia assistida não é suicídio. Até porque muitas vezes o doente já nem se consegue suicidar.

7-Já agora- Muitos dos que são contra de forma “violenta e apaixonada… e se dizem defensores da vida ….” são os mesmos que concordam que se limite a utilização de medicamentos de última geração ( mais caros) em doentes mais velhos, pois isso apenas levaria a mais umas semanas de vida. Não é isto a defesa da eutanásia encapotada? Quem já perdeu familiares próximos, sabe muito bem que desejamos sempre que ele viva mais uns dias. E que por vezes esses dias são muito importantes. Para quem fica e para quem parte.

Pessoal- mais um passo. Agora foi o cateter

Era mais ou menos assim. Maior no meu caso

Depois da alta oncológica foi a vez de tirar o cateter. Uma pequena intervenção mas custou um pouco mais do que esperava a sair. Foi em ambulatório e já foi. Se quando o  colocaram tive de ouvir o cirurgião a cantar  José Cid, agora a médica entreteu-se a discutir comigo derivadas e  hummm o trabalho dos professores. (aiaiaia)

Foram 6 anos na sua companhia. Portou-se bem, mas espero não necessitar dele novamente

Pessoal – Saúde mais uma fase que está ultrapassada

Hoje foi dia de IPO em Coimbra. Anda em obras e hoje estava mesmo com muita gente.

Mas o que interessa é que tive “alta” da oncologia”. Já sabia os resultados da última TAC e hoje com os resultados das análises e marcadores o meu médico considerou-me estatisticamente curado. (Já lá vão quase 6 anos). Ou seja o risco de reaparecimento e de metátese continua a existir é claro , mas com um grau de probabilidade mais baixo. Apenas regressarei se o meu médico de família encontrar algum problema.

Agora só falta a consulta de cirurgia e retirar o cateter que anda por cá desde Agosto de 2010. Se fosse outra doença podia dizer que estaria curado. Nesta não podemos dizer isso de forma tão clara… mas é mais um passo.

Pessoal – mais uns exames … mais uma corrida

Creio que disse por aqui que no dia 2 de fevereiro , fui fazer as análises e tac de controlo.

A consulta estava prevista para o dia 17, mas teve de ser adiada para Maio. De qualquer forma já consegui falar com o meu médico assistente,a através da secretária, que é uma funcionária simpática e com um aspecto muito “saudável” e está tudo bem e normal.

Os primeiro cinco anos já lá vão. Vamos para os segundos.

 

Pessoal. E chegaram os 5 anos depois da operação

Fui hoje ao IPO fazer exames de rotina, nomeadamente uma TAC. Agora é esperar 15 dias pela consulta para saber os resultados. São sempre dias de alguma ansiedade.

Em 31 de Janeiro de 2010 entrei no edifico da cirurgia para a preparação da operação. Esta foi feita no dia 1 de Fevereiro , com alta a 9 de Fevereiro. Assim sendo, acabaram de passar 5 anos. Eu sei que uma simples questão de análise estatística , não tem verdadeiro significado , mas não deixa de ser um marco. Estou portanto a comemorar as minhas “Bodas de Madeira” pós operatórias. O meu voto é que chegue às bodas de Estanho ou Zinco, ( 10 anos) e depois pedirei as de cristal e assim sucessivamente.

A cirurgia foi do ponto de vista físico um processo razoável, com alguns problemas, mas nada de especial. Psicologicamente foi mais difícil é claro. Sobretudo porque era tudo novo. Praticamente nunca tinha estado num hospital e em médicos quase nunca. A informação era escassa. Nós precisamos de saber como é que se se reage a uma cirurgia, que tipo de dores vamos ter, o que acontece, como nos sentimos com  a anestesia, etc etc etc… E sobre isso não existe nada. Não existem relatos de experiências. Para complicar entrei no dia em que o meu pai faria anos, no dia em que ele também entrou para um hospital para ser operado anos antes, também a um tumor no intestino ( muito mais simples que o meu… aparentemente). Fui operado no mesmo dia em que o meu pai tinha sido. Só que o meu pai alguns dias depois teve uma reacção à anestesia e acabou por ser vitima da famosa assistência nos hospitais durante o fim de semana. Faleceu no dia 6 de Fevereiro . E não é que, com tanta coincidência, tive na minha frente , na cama em frente, um doente que teve precisamente a mesma reacção à anestesia. Foi salvo, mas teve de ser amarrado, conseguia partir as amarras, arrancar tudo , gritar, falar…. Coincidências lixadas. Foram dois dias dolorosos.

Da operação recordo apenas aquela cena dos filmes. A ser levado de maca com as luzes do tecto a passar… entrada na sala. Os focos sobre mim, música muita alta. ( na primeira intervenção simples para me colocarem o cateter, o médico esteve sempre  cantar um tema do José Cid.) Aqui era uma musica qualquer pop-rock. Ouço alguém dizer “??? de qualquer coisa” e apaguei.  Algumas horas depois recordo a mesma voz a dizer: “pronto acordou pode seguir” e lá me levaram para umas horas meio a dormir meio acordado. Ainda me lembro de ter uma visita do meu cunhado e eu cá para mim: Não sei se tente falar com este gajo. Se calhar até estou a sonhar e nem sei se ele está cá ou não. Vou mas é dormir outra vez. Depois  pensava que tinha acordado e ainda estava na operação. E tentava dizer: Olhem que estou acordado não me operem. ( fruto de uma história de um vizinho de operação que quando foi operado da primeira vez há bastantes anos , calcularam mal a anestesia e ele acordou  a meio)…  enfim… histórias.

Ate´que no dia seguinte, no dia 2 ainda na unidade de cuidados intermédios,  levaram-me para um cantinho num pequeno quarto ao fundo, para estar junto da minha mulher que estava de visita. E entrava sol no quarto. ( A enfermaria onde estava em recuperação não tinha janelas, era escura e com muitas máquinas de apoio. ) ali … estava sol, claridade luz, calor. Acho que renasci nesse dia. Foi o primeiro momento de felicidade . Isso e alguém dizer. Zé já não o tens. Já lá não está…. Não é bem assim, eu sei, mas já lá não estava.